Autor: daniel oliveira

  • DMZ virtual no Proxmox com OPNsense

    Por padrão, as máquinas virtuais do Proxmox se conectam a uma bridge ligada à interface física do servidor. Dessa forma, todas as máquinas virtuais aparecem como máquinas reais na rede física onde o servidor está conectado.

    Idealmente, as máquinas virtuais com portas expostas para a internet estariam isoladas da rede principal, mas como o roteador em uso é um roteador de uso doméstico, sem a opção de criação de VLAN ou atribuição de redes diferentes a interfaces diferentes, uma alternativa se apresentou viável: instalar um firewall como máquina virtual no Proxmox e fazer com que as máquinas virtuais se conectem a ele em vez de diretamente na rede física.

    Para o firewall, temos algumas opções de sistema operacional, as mais notáveis de código livre sendo OPNsense e pfSense. O OPNsense é um fork do pfSense, que é um fork do m0n0wall. Eles são baseados no FreeBSD. OPNsense surgiu como um fork do pfSense em grande parte por uma questão de licenciamento, sendo distribuído sob a licença simplificada BSD, e é o firewall utilizado aqui.

    Antes de criar a máquina virtual, precisamos criar pelo menos uma bridge no servidor Proxmox para a LAN do OPNsense, a qual ficarão conectadas as máquinas virtuais. A bridge vmbr0 existente no Proxmox vai ser utilizada para a WAN, conectando o OPNsense à LAN física. Para isso, no Proxmox, selecione seu servidor > System > Network e crie a bridge, dando apenas um nome.

    Após criada, aplique as configurações.

    Alternativamente, pelo terminal do Proxmox, adicione a bridge ao arquivo /etc/network/interfaces:

    auto vmbr1
    iface vmbr1 inet manual
        bridge-ports none
        bridge-stp off
        bridge-fd 0
    # OPNsense LAN
    
    auto vmbr2
    iface vmbr2 inet manual
        bridge-ports none
        bridge-stp off
        bridge-fd 0
    # OPNsense LAN2

    Vale reparar que outras bridges podem ser criadas e atribuídas a uma interface de rede na máquina virtual. Eu decidi criar duas.

    Após editado o arquivo, use o seguinte comando para aplicar a configuração:

    # ifreload -a

    Finalizada a criação das bridges, crie a máquina virtual, adicione as interfaces de rede que desejar, inicie e instale o OPNsense. Ao finalizar, reinicie e atribua às interfaces o uso como WAN ou LAN – e opcionalmente OPT1, OPT2, etc.

    Feito isso, atribua um endereço IP à elas conforme necessário. Nesse caso, a WAN permaneceu em DHCP e a LAN e OPT1 foram configuradas com IP estático – e ativado o servidor DHCP para a rede.

    Então, você já pode alterar a bridge a qual estão conectadas as interfaces de rede das máquinas virtuais, e o OPNsense já deve estar acessível via web através da LAN virtual. No entanto, ele ainda não está acessível através da WAN (a LAN física). Para isso, são necessárias três configurações:

    • Vá em Interfaces > [WAN] e desabilite a caixa “Block private networks”.
    • Vá em Firewall > Settings > Advanced e habilite a caixa “Disable reply-to on WAN rules”.
    • Em Firewall > Rules, crie uma regra para a interface WAN permitindo tráfego de entrada de “WAN net” para o OPNsense.

    Agora, você deve alterar no Proxmox a configuração da interface de rede das máquinas virtuais que desejar para que elas utilizem a bridge correspondente à interface LAN do OPNsense.

    Você vai ver que, ao pingar um IP da sua LAN física a partir de uma máquina virtual conectada ao OPNsense, a máquina virtual vai receber a resposta. Agora, basta criar a regra que vai isolar a rede LAN do OPNsense da sua LAN física.

    No OPNsense, crie uma regra para a LAN, bloqueando todo tráfego de entrada na interface LAN com destino a “WAN net” e coloque essa regra ao topo das regras padrão de permissão de entrada de tráfego na interface LAN.

    Pelo fato de OPNsense ser um firewall do tipo stateful, para garantir que nenhuma conexão já estabelecida se mantenha, vá em Firewall > Diagnostics > States e, na aba Actions, resete a tabela de estado.

    Agora, toda máquina virtual que for configurada no Proxmox e precise ficar isolada da rede LAN física, deve ser conectada à bridge correspondente à LAN do OPNsense – nesse caso, vmbr1.

    Recomendação de segurança: no OPNsense, crie um usuário, inclua ao grupo admin e, após logar nele, desabilite o usuário root.

    Posteriormente, eu vi que existem algumas opções de serviço DHCP. O padrão configurado na linha de comando é o “Dnsmasq DNS & DHCP” e é o mais leve mas parecia não ter a opção de reservas DHCP, então configurei o Kea DHCP, uma implementação mais recente desenvolvida pela Internet Systems Consortium (ISC), para ser usado com as interfaces LAN e OPT1.

    A interface OPT1 foi configurada de forma parecida à LAN mas um pouco mais restrita, com acesso bloqueado tanto à “WAN net” quanto à “LAN net”. A ideia sendo que a LAN vai abrigar os servidores em uso, já relativamente bem configurados e mantidos, enquanto a rede na interface OPT1 vai abrigar máquinas virtuais de teste.

    Outra configuração feita posteriormente: foi criada uma regra no firewall para permitir o acesso da rede WAN às redes LAN e OPT1.

    Adicionalmente, no roteador da rede física, foi configurada uma rota para as redes LAN e OPT1 através do IP do firewall na WAN.

    Dessa forma, conseguimos acessar da rede física as máquinas virtuais nas redes LAN e OPT1 através do IP individual delas, sem necessidade de configuração de encaminhamento de portas para cada uma, enquanto mantendo bloqueado o acesso das redes LAN e OPT1 à WAN.

    Para a interface LAN, foi restringido o acesso à internet, criando grupos de IPs com alias e liberando o acesso a endereços essenciais, como repositórios de pacotes do Ubuntu e CentOS Stream para manter os sistemas atualizados, servidor de VPN para manter o acesso aos serviços web pelo proxy reverso, e acesso à Cloudflare para DNS sobre TLS, de modo a melhorar a segurança sem quebrar nenhum acesso previamente utilizado.

  • Pydio Cells: uma plataforma de colaboração

    Esse foi um pouco diferente, mas para dar um contexto de como eu cheguei aqui: além da minha instância Nextcloud, eu mantenho outra para o meu pai, com um HD dele. Meu pai também é da área de Tecnologia da Informação mas com uma vivência muito mais forte em ambiente Windows.

    Então eu fiquei me perguntando se não havia alguma alternativa ao Nextcloud que pudesse hospedar no Windows, preferencialmente usando o IIS.

    Infelizmente, não consegui nada para IIS, mas consegui algo para Windows – mas não exclusivamente. Pydio Cells é uma plataforma de código aberto para hospedagem e compartilhamento de arquivos, com foco em colaboração.

    Pydio Cells tem uma configuração relativamente simples, não sendo necessário configurar servidor web ou interpretador PHP, só um banco de dados MySQL ou MariaDB. Por baixo dos panos, Pydio Cells é escrito em Go e utiliza o servidor web Caddy. É também compatível com Linux mas dessa vez vamos abordar a configuração em Windows.

    O Pydio Cells pode ser encontrado para download aqui e o MariaDB aqui.

    Comece instalando o MariaDB. Basta seguir o wizard de instalação com as opções recomendadas. Ele vai instalar junto um programa chamado HeidiSQL, um cliente SQL. Abra-o e conecte no seu banco de dados com o root e a senha definida durante a instalação.

    Crie um usuário para o Pydio Cells, um banco de dados e dê todos os privilégios sobre o banco de dados a esse usuário:

    CREATE USER 'pydio_admin'@'localhost' IDENTIFIED BY 'senha123';
    CREATE DATABASE pydio_db CHARACTER SET utf8mb4 COLLATE utf8mb4_general_ci;
    GRANT ALL PRIVILEGES ON pydio_db.* TO 'pydio_admin'@'localhost';
    FLUSH PRIVILEGES;

    Feito isso, crie uma pasta para a execução e os arquivos de configuração do Pydio Cells:

    C:\Users\daniel> mkdir C:\pydio_cells

    Extraia o executável do Pydio Cells da pasta zipada e copie-o para esse diretório.

    Crie a seguinte variável para o Windows e reinicie o sistema operacional para que a alteração tenha efeito:

    C:\Windows\System32> setx CELLS_WORKING_DIR "C:\pydio_cells" /M

    Após reiniciar, instale o Pydio Cells:

    C:\Users\daniel> C:\pydio_cells\cells.exe configure

    O instalador irá perguntar pelo modo de instalação. Você pode selecionar pelo navegador web e seguir por lá. Conecte no seu banco de dados com o usuário e a senha que você criou no HeidiSQL e crie o seu usuário para login no Pydio Cells. Você pode acompanhar o progresso pelo terminal. Ao fim da instalação, a página de login deverá aparecer.

    Você vai ver que ele abre por padrão na porta 8080 com HTTPS, lembre-se de abrir essa porta no firewall do Windows para acesso através de outros clientes:

    C:\Windows\System32> netsh advfirewall firewall add rule name="PydioCells" localport=8080 protocol=tcp dir=in action=allow

    Você já deve conseguir acessar o servidor através de outros dispositivos na sua rede.

    Para integrar à minha infraestrutura existente, esse servidor também foi colocado atrás do proxy reverso, e a configuração de diferentes proxys, incluindo o nginx, são abordadas na própria documentação do Pydio Cells.

    Use o seguinte comando para determinar o endereço onde ele escuta por conexões e o endereço externo utilizado para o proxy reverso:

    C:\pydio_cells\cells.exe configure sites

    Nesse caso, foi configurado como:

    • BIND: https://0.0.0.0:8080
    • TLS: auto-assinado
    • URL externa: https://pydio.exemplo.com

    Note que uma porta diferente pode ser utilizada para a URL externa. Caso pretenda configurar a integração com o Collabora, como foi feito para o Nextcloud, mantenha o acesso na URL externa pela porta padrão, visto que o Collabora retorna erro 403 quando usado com portas alternativas.

    O domínio do Collabora também deve ser o mesmo que o do Pydio Cells, como collabora.exemplo.com e pydio.exemplo.com, resultando também em erro 403 quando configurado com domínios diferentes.

    Agora, o Pydio Cells não se inicia automaticamente junto com o Windows, precisando ser iniciado manualmente com:

    C:\Users\daniel> C:\pydio_cells\cells.exe start

    Você pode no entanto configurar o Pydio Cells para ser executado como um serviço do Windows, iniciando junto com o sistema operacional.

    O Windows tem 3 usuários para serviços: Local System, Network Service e Local Service, do maior ao menor nível de acesso ao sistema. Para utilizar Local Service, precisamos dar permissão de acesso à pasta do Pydio Cells e suas subpastas.

    C:\Windows\System32> icacls C:\pydio_cells /grant LocalService:(OI)(CI)(F) /T

    Então, basta criar o serviço:

    C:\Windows\System32> sc create PydioCellsService binPath="C:\pydio_cells\cells.exe start" start=delayed-auto obj="NT AUTHORITY\LocalService"

    Uma desvantagem (para mim) que eu encontrei no Pydio Cells em relação ao Nextcloud é que, ao fazer upload de arquivos, eles são armazenados no Windows sob um nome diferente, utilizando UUIDs, e sem estrutura de pastas separando os arquivos por usuários ou replicando a estrutura de pastas existente dentro da plataforma, armazenando informações referentes à organização de pastas e arquivos apenas no banco de dados.

    A integração com um servidor Collabora existente é feita através do Cells Console. Ative a chave no topo da página para mostrar as configurações avançadas e, no fim da lista aparece a área “All Plugins”, onde a conexão com o Collabora é configurada e o plugin do Collabora deve ser ativado.

  • Integração de suíte office a Nextcloud

    Nextcloud tem um ecossistema com muitas possibilidades de aplicativos e funcionalidades adicionais que podem ser integradas. Uma das integrações mais comuns de serem feitas é com uma suíte office, permitindo edição e colaboração em documentos, planilhas e apresentações, como também é feito através do Google Workspace.

    Essa integração é feita conectando o Nextcloud a uma plataforma de colaboração e edição de documentos acessível via web. Existem duas principais plataformas como opções: ONLYOFFICE Docs Community e Collabora Online Developer Edition (CODE).

    Ambos têm uma UI familiar para usuários do Microsoft Office, ambos são compatíveis com o padrão Open Document Format (ODF), que engloba os formatos de arquivos .ods e .odt, e também com o Office Open XML (OOXML) da Microsoft, que engloba os formatos .xlsx e .docx.

    Enquanto o ONLYOFFICE é um projeto independente, o Collabora é um projeto baseado no LibreOffice, mas construído com uma UI diferente. Ambos também são distribuídos em formato Docker, o que permite uma facilidade de instalação e instruções independem do sistema operacional anfitrião.

    Eu já usei tanto o LibreOffice quanto o ONLYOFFICE Desktop Editors, versões offline das suítes e, enquanto um grande ponto forte do ONLYOFFICE é a compatibilidade com o padrão OOXML criado pela Microsoft, acabei aderindo ao LibreOffice por questão de desempenho.

    Como já me deparei com pequenas inconsistências de formatação ao criar um documento em uma suíte e abrir em outra, seguir com o Collabora foi mais adequado para manter uma boa compatibilidade com meus documentos existentes.

    A instalação foi feita com Docker através da minha instalação do Portainer. Ao criar um contêiner, defina o nome, a imagem a ser usada para a implantação e o mapeamento de portas.

    Nas configurações avançadas, defina as variáveis de ambiente:

    • domain – endereço do Nextcloud que irá utilizar a plataforma CODE, expresso como regex.
    • server_name – nome do servidor que hospeda o CODE e a porta exposta. A porta pode ser diferente da 9980 mapeada pelo docker, dependendo da regra de encaminhamento de porta no firewall OU do proxy reverso utilizado.
    • username e password – usuário e senha para o painel de administrador.

    Observações:

    O servidor precisa ter o mesmo domínio que o Nextcloud – nesse caso exemplo.com, caso contrário o Collabora retorna erros 403.

    Além disso, o Nextcloud precisa estar exposto na porta padrão HTTPS. Quando exposto em portas alternativas, essa porta é passada para o servidor CODE como parte da URL na requisição HTTP e o Collabora não identifica, recusando a conexão com código 403.

    Defina a política de reinicialização.

    E então, basta implantar o contêiner. Alternativamente, utilizando o Docker por linha de comando em vez do Portainer:

    docker run -t -d \
      -p 9980:9980 \
      -e "domain=nextcloud\\.exemplo\\.com" \
      -e "server_name=code.exemplo.com:2345" \
      --restart on-failure \
      --name CODE \
      collabora/code:latest

    A configuração do proxy reverso, além de necessária para minha infraestrutura, é recomendada e a configuração para o nginx é fornecida no próprio site do projeto. Adaptando para esse caso:

    server {
    
      listen 2345 ssl;
      listen [::]:2345 ssl;
      ssl_certificate /etc/letsencrypt/live/code.exemplo.com/fullchain.pem;
      ssl_certificate_key /etc/letsencrypt/live/code.exemplo.com/privkey.pem;
      server_name code.exemplo.com;
      
      location ^~ /browser {
        proxy_pass https://10.8.0.6:9980;
        proxy_set_header Host $host;
      }
     
      location ^~ /hosting/discovery {
        proxy_pass https://10.8.0.6:9980;
        proxy_set_header Host $host;
      }
      
      location ^~ /hosting/capabilities {
        proxy_pass https://10.8.0.6:9980;
        proxy_set_header Host $host;
      }
      
      location ~ ^/cool/(.*)/ws$ {
        proxy_pass https://10.8.0.6:9980;
        proxy_set_header Upgrade $http_upgrade;
        proxy_set_header Connection "Upgrade";
        proxy_set_header Host $host;
        proxy_read_timeout 36000s;
      }
      
      location ~ ^/cool {
        proxy_pass https://10.8.0.6:9980;
        proxy_set_header Host $host;
      }
      
      location ^~ /cool/adminws {
        proxy_pass https://10.8.0.6:9980;
        proxy_set_header Upgrade $http_upgrade;
        proxy_set_header Connection "Upgrade";
        proxy_set_header Host $host;
        proxy_read_timeout 36000s;
      }
    }

    No Nextcloud, basta habilitar o aplicativo Nextcloud Office e, nas configurações de administrador, adicionar a URL e porta do servidor CODE.

    Também é recomendado restringir a origem das requisições WOPI aceitas pelo Nextcloud ao IP do servidor CODE.

    Finalmente, o Nextcloud já deve estar pronto para abrir e editar documentos via web utilizando o Collabora.

    Você pode acompanhar informações de uso do servidor no painel de administrador com seu usuário e senha definidos anteriormente em:

    https://code.exemplo.com:2345/browser/dist/admin/admin.html

  • Protegendo serviços web com ModSecurity

    Web Application Firewall é um tipo de aplicação que inspeciona as requisições HTTP em busca de ameaças comuns, como injeções de SQL, cross-site scripting (XSS), tentativas de inclusão de arquivos remotos e injeção de comandos, antes de encaminhá-las ao servidor web.

    São tipos de ameaças que costumam ser tratadas no back-end dos sites, mas nem sempre acontece. Eventualmente desenvolvedores esquecem de sanitizar um input em alguma parte do código e vulnerabilidades surgem. Um exemplo disso é a vulnerabilidade por injeção de SQL no Zabbix que foi encontrada no final de 2024.

    Tendo isso em vista, é interessante ter uma camada extra de segurança que verifique cada requisição HTTP. É aí que entra o Web Application Firewall (WAF): ele atua como um proxy reverso + firewall. Recebe a requisição HTTP, inspeciona e, caso ela infrinja alguma regra, impede a conexão. Caso contrário, encaminha a requisição para o servidor web.

    Existem diferentes alternativas de WAF, incluindo serviços em nuvem como o Azure Web Application Firewall. Mas minha infraestrutura já utilizava o nginx como proxy reverso para os meus servidores web, então busquei uma alternativa que fosse gratuita e que usasse poucos recursos de hardware, de forma que coubesse no meu VPS de 1 vCPU e 512 MB de RAM.

    A que melhor se encaixou foi o ModSecurity, um módulo de código aberto originalmente escrito para trabalhar com o Apache, mas que hoje também funciona com o nginx. Para instalar no meu servidor, que roda Debian 12:

    # apt install libnginx-mod-http-modsecurity modsecurity-crs

    O pacote modsecurity-crs é o Core Rule Set da OWASP, um conjunto de regras base utilizado pelo ModSecurity para identificar e bloquear potenciais ameaças.

    Verifique que o módulo está habilitado. Na pasta /etc/nginx/modules-enabled deve haver um softlink como

    50-mod-http-modsecurity.conf -> /usr/share/nginx/modules-available/mod-http-modsecurity.conf

    Em seguida, edite o arquivo de configuração /etc/nginx/modsecurity.conf e configure o seguinte parâmetro:

    SecRuleEngine On

    Edite também o arquivo /etc/nginx/modsecurity_includes.conf, copiando para ele as linhas em /usr/share/modsecurity-crs/owasp-crs.load que começam com “Include”. Essas são o conjunto base de regras da OWASP.

    Seu arquivo deve ficar algo como:

    include modsecurity.conf
    #include /usr/share/modsecurity-crs/owasp-crs.load
    Include /etc/modsecurity/crs/crs-setup.conf
    Include /usr/share/modsecurity-crs/rules/*.conf

    Feito isso, você pode editar os arquivos de configuração dos sites existente para adicionar no topo no bloco server as seguintes linhas:

    modsecurity on;
    modsecurity_rules_file /etc/nginx/modsecurity_includes.conf;

    Teste as configurações e, se tudo estiver ok, reinicie o servidor web:

    # nginx -t
    # systemctl restart nginx

    É isso, o WAF está funcionando.

    Você pode testá-lo fazendo requisições http que ele deve bloquear e verificando tanto o resultado (ele rejeita com resposta 403) quanto os logs:

    # tail -f /var/log/nginx/modsec_audit.log

    Exemplos de requisições para fazer:

    $ curl "https://pid1.com.br/?id=1+UNION+SELECT+1,2,3"
    $ curl "https://pid1.com.br/?q=<script>alert('xss')</script>"
    $ curl "https://pid1.com.br/?page=http://evil.com/shell.txt"
    $ curl "https://pid1.com.br/?cmd=cat+/etc/passwd"

    Você também pode colocar um input como “UNION SELECT” em algum campo do seu site e verificar que ele responde com 403.

    Agora, problemas como falsos positivos podem acontecer. Eu fiquei impossibilitado de publicar ou salvar publicações como rascunho aqui no WordPress, por exemplo, recebendo o erro “Falha ao atualizar. A resposta não é um JSON válido”.

    Para resolver isso, foi necessário coletar as informações do log para criar uma regra que permita esse caso e ignore a regra que causa o bloqueio.

    O log foi o seguinte:

    ModSecurity: Warning. Matched "Operator Pm' with parameter document.cookie document.write .parentnode .innerhtml window.location -moz-binding <!-- --> <![cdata[' against variable ARGS:json.content' (Value: <!-- wp:paragraph -->\x0a<p>teste4</p>\x0a<!-- /wp:paragraph -->\x0a\x0a<!-- wp:paragraph -->\x0a<p> (30 characters omitted)' ) [file "/usr/share/modsecurity-crs/rules/REQUEST-941-APPLICATION-ATTACK-XSS.conf"] [line "232"] [id "941180"] [rev ""] [msg "Node-Validator Blacklist Keywords"] [data "Matched Data: <!-- found within ARGS:json.content: <!-- wp:paragraph -->\x0a<p>teste4</p>\x0a<!-- /wp:paragraph -->\x0a\x0a<!-- wp:paragraph -->\x0a<p></p>\x0a<!-- /wp:paragraph -->"] [severity "2"] [ver "OWASP_CRS/3.3.4"] [maturity "0"] [accuracy "0"] [tag "application-multi"] [tag "language-multi"] [tag "platform-multi"] [tag "attack-xss"] [tag "paranoia-level/1"] [tag "OWASP_CRS"] [tag "capec/1000/152/242"] [hostname "191.252.110.50"] [uri "/wp-json/wp/v2/posts/385"] [unique_id "176202912980.702618"] [ref "o0,4v13,112t:utf8toUnicode,t:urlDecodeUni,t:htmlEntityDecode,t:jsDecode,t:cssDecode,t:lowercase,t:removeNulls"] ModSecurity: Access denied with code 403 (phase 2). Matched "Operator Ge' with parameter 5' against variable TX:ANOMALY_SCORE' (Value: 5' ) [file "/usr/share/modsecurity-crs/rules/REQUEST-949-BLOCKING-EVALUATION.conf"] [line "81"] [id "949110"] [rev ""] [msg "Inbound Anomaly Score Exceeded (Total Score: 5)"] [data ""] [severity "2"] [ver "OWASP_CRS/3.3.4"] [maturity "0"] [accuracy "0"] [tag "application-multi"] [tag "language-multi"] [tag "platform-multi"] [tag "attack-generic"] [hostname "191.252.110.50"] [uri "/wp-json/wp/v2/posts/385"] [unique_id "176202912980.702618"] [ref ""]

    Nele, pode-se identificar:

    • A URI: /wp-json/wp/v2/posts/385
    • O ID da regra que estava causando o bloqueio: 941180

    A partir disso, pode-se criar um arquivo de configuração /etc/nginx/modsecurity_custom_exceptions.conf, com a seguinte regra:

    SecRule REQUEST_URI "@beginsWith /wp-json/wp/v2/posts"\
    "id:10001,phase:1,nolog,pass,ctl:ruleRemoveById=941180"

    Esse arquivo deve ser incluído no /etc/nginx/modsecurity_includes.conf – adicione a linha:

    Include modsecurity_custom_exceptions.conf

    A regra é composta da seguinte forma:

    SecRule VARIÁVEIS OPERADOR [AÇÕES]

    Nesse caso,

    • Variável: REQUEST_URI – é a váriável que ele vai verificar para aplicar a ação.
    • Operador: “@beginsWith /wp-json/wp/v2/posts” – o que ele vai verificar na variável.
    • Ações: “id:10001,phase:1,nolog,pass,ctl:ruleRemoveById=941180”

    Entre as ações:

    • id:10001 – ID da regra que você está criando. Deve ser único.
    • phase:1 – indica que a ação deve ocorrer na fase dos cabeçalhos de requisição – quando o ModSecurity recebe o cabeçalho do nginx, antes de receber o corpo da requisição HTTP e aplicar as regras, que seria a phase:2
    • nolog – sem necessidade de registrar esse evento
    • pass – permite a requisição HTTP
    • ctl:ruleRemoveById=941180 – desabilita a regra que causava o bloqueio. Múltiplas ações desse tipo podem ser especificadas na mesma regra.

    Há também no log uma regra de ID 949110, mas ao ver a mensagem associada é possível verificar que ela não é a regra que identifica a ameaça em potencial, apenas a regra que determina um limite de ameaças detectadas. Não desabilite essa regra, isso abriria espaço para outras requisições HTTP que não devem ser recebidas pelo servidor. É preciso analisar o log com atenção e verificar a que mensagens cada regra está associada.

    Esse tipo de ajuste também pode ser feito para outras regras em outras URIs de outros sites para os quais o nginx atua como proxy reverso, permitindo o uso do WAF para diferentes aplicações e sistemas.

    Uma observação importante: a ordem em que as configurações são incluídas no arquivo /etc/nginx/modsecurity_includes.conf é importante, já que as regras são processadas de forma sequencial. Garanta que as exceções são incluídas para serem processadas antes das regras da OWASP.

    Include modsecurity.conf
    Include modsecurity_custom_exceptions.conf
    Include /etc/modsecurity/crs/crs-setup.conf
    Include /usr/share/modsecurity-crs/rules/*.conf

    Para casos em que uploads de arquivos são feitos, como no Nextcloud, considere também ajustar no arquivo /etc/nginx/modsecurity.conf o parâmetro de tamanho máximo do corpo das requisições HTTP, especificado em bytes.

    #SecRequestBodyLimit 13107200
    SecRequestBodyLimit 31457280

    O limite padrão é 12.5 MB, tendo sido ajustado para 30 MB. Idealmente ajustaria para um valor mais alto mas o consumo de memória pelo nginx ultrapassa o limite tolerado pelo systemd-oomd no meu servidor com 512 MB de RAM, levando o systemd-oomd a matar o processo.

  • Servidor NFS para backup de máquinas virtuais do Proxmox

    Network File System (NFS) é um protocolo de sistema de arquivos sobre rede e permite compartilhamento de pastas e arquivos entre computadores.

    Ele é consideravelmente mais simples que o Server Message Block (SMB), protocolo usado pelo Windows para compartilhamento de pastas e impressoras, de forma que não possui qualquer suporte a autenticação de usuário ou criptografia. O controle de acesso é feito por endereço IP e pelas permissões do próprio sistema de arquivos.

    Ele tem como objetivo ser simples e transparente para aplicações de forma que pareça fazer parte do sistema de arquivos no cliente, enquanto mantém um bom desempenho.

    Esse protocolo existe nativamente em sistemas tipo Unix, como Linux, macOS e FreeBSD. No Windows, o suporte ao protocolo precisa ser adicionado como um pacote extra, mas é oferecida pela própria Microsoft.

    Em servidores Debian, Ubuntu ou derivados, instale o servidor NFS com:

    # apt install nfs-kernel-server

    Crie a pasta a ser exportada e defina as permissões adequadas – Proxmox vai escrever como root no sistema de arquivos exportado:

    # mkdir /pmx-backup
    # chown nobody:nogroup /pmx-backup

    O servidor NFS usa a opção root_squash por padrão na configuração, que mapeia as escritas do root do cliente para a uid e gid de um usuário de privilégio mais baixo no sistema. Escrita e leitura de outros usuários não são afetadas e levam a mesma uid e gid que o usuário do cliente.

    Edite o arquivo /etc/exports para adicionar a pasta a ser exportada, o IP do cliente que vai acessá-la e os parâmetros de configuração da exportação:

    /pmx-backup    192.168.0.2(rw,sync,no_subtree_check)

    E então exporte os sistemas de arquivos configurados:

    # exportfs -ar

    Abra a porta para o NFSv4 (essa versão requer apenas a porta 2049/tcp):

    # ufw allow proto tcp from 192.168.0.2 to any port 2049

    Onde 192.168.0.2 é o IP do servidor Proxmox.

    Para configurar o armazenamento no Proxmox, vá em Datacenter > Storage > Add > NFS e preencha com as informações necessárias:

    E então, basta começar os backups.

  • Configuração do FreeRADIUS para autenticação com Google LDAPS

    Sendo uma alternativa ao ambiente Microsoft, o Google Workspace também conta com um serviço de diretório. O LDAP seguro pode ser usado para autorização e autenticação de usuários. O FreeRADIUS foi usado para implementar autenticação WPA2-Enterprise na rede Wi-Fi, com um detalhe: a autenticação precisava funcionar para 2 domínios de e-mail diferentes, de dois ambientes Google Workspace independentes.

    Enquanto a autenticação com AD no FreeRADIUS é feita através do método de desafio e resposta, MSCHAPv2, o LDAP seguro do Google não implementa esse protocolo e precisa que a senha do usuário seja enviada em texto pleno dentro de um túnel SSL. Isso pode ser feito com a combinação de protocolos EAP-TTLS/PAP. Diferente do EAP-TLS, que exige o par de certificado/chave tanto do cliente quanto do servidor, o EAP-TTLS exige o par apenas do servidor.

    O servidor utilizado foi o Ubuntu 24.04 mas o processo serve também para outras versões. Primeiro passo é criar o cliente LDAP no Google Workspace. No console de administrador, vá em Apps > LDAP > Adicionar Cliente

    Atribua as permissões necessárias para o cliente:

    Em seguida, baixe os certificados e ative o serviço.

    Agora, preparando o servidor FreeRADIUS:

    # apt install freeradius freeradius-ldap

    Diferente do CentOS, o Ubuntu já gera os certificados pro TLS automaticamente no processo de instalação.

    Transfira o par de certificado/chave baixado do Google Workspace para o servidor, armazenando-os em /etc/freeradius/3.0/certs/google/, onde já é esperado pelo FreeRADIUS nas configurações a se seguir.

    Partindo para os arquivos de configuração, a começar pelo LDAP, fazendo uma cópia do arquivo para cada ambiente Workspace:

    # cp -a /etc/freeradius/3.0/mods-available/{ldap_google,ldap_workspace0}
    # cp -a /etc/freeradius/3.0/mods-available/{ldap_google,ldap_workspace1}

    Edite o arquivo, adicionando ou alterando as linhas:

    ldap ldap_workspace0 {
        identity = 'nomeDeClienteObtidoNoGoogleWorkspace'
        password = 'senhaDeClienteObtidaNoGoogleWorkspace'
        base_dn = 'dc=dominio0,dc=com'
        user {
            filter = "(mail=%{%{Stripped-User-Name}:-%{User-Name}})"
        }
        certificate_file = /caminho/do/cert/cliente/ldap
        private_key_file = /caminho/da/chave/cliente/ldap
    }

    Faça o mesmo para ldap_workspace1. Habilite os módulos com:

    # ln -s /etc/freeradius/3.0/mods-available/ldap_workspace0 /etc/freeradius/3.0/mods-enabled/

    No arquivo /etc/freeradius/3.0/mods-enabled/eap, adicione ou altere as seguintes configurações:

    eap {
      default_eap_type = ttls
      ttls {
        default_eap_type = pap
      }
    }

    Caso tenha alterado os certificados a serem usados, você também vai precisar editar as configurações referentes a isso no bloco de configurações comuns de TLS.

    Você pode comentar outros módulos não utilizados, como TLS, PEAP e MSCHAPv2, deixando apenas as configurações comuns de TLS e o bloco do TTLS.

    O arquivo /etc/freeradius/3.0/sites-enabled/default tem diversas opções, muitas podem (e devem) ser desabilitadas. Edite os blocos authorize e authenticate para que fiquem como abaixo:

    server default {
      authorize {
        filter_username
        preprocess
        eap
        expiration
        logintime
      }
      authenticate {
        eap
      }
    }

    No arquivo /etc/freeradius/3.0/sites-enabled/inner-tunnel, edite os mesmos blocos, adicionando a condicional para os dois domínios:

    server inner-tunnel {
    
      authorize {
        filter_username
    
        if ("%{User-Name}" =~ /@dominio0\.com$/) {
          ldap_workspace0
          update control {
            Auth-Type := ldap_workspace0
          }
        } elsif ("%{User-Name}" =~ /@dominio1\.com$/) {
          ldap_workspace1
          update control {
            Auth-Type := ldap_workspace1
          }
        } else {
          reject
        }
    
        expiration
        logintime
      }
    
      authenticate {
        Auth-Type ldap_workspace0 {
          ldap_workspace0
        }
        Auth-Type ldap_workspace1 {
          ldap_workspace1
        }
        Auth-Type PAP {
          pap
        }
      }
    
    }
    

    Terminando a edição dos arquivos, você deve reiniciar o serviço para que as configurações tenham efeito, garantindo antes que todos os arquivos pertencem ao usuário e grupo freerad.

    # chown -hR freerad:freerad /etc/freeradius
    # systemctl restart freeradius.service

    Caso necessário, você pode testar o FreeRADIUS em modo debug parando o serviço e executando-o manualmente da seguinte forma:

    # freeradius -X
  • Integração Nextcloud + Amazon S3

    Nextcloud tem suporte a diferentes tipos de armazenamentos externos através do app “External storage support”, entre eles: SMB (compartilhamento de pasta do Windows), SFTP e Amazon S3.

    Amazon Simple Storage Service (S3) é um serviço de armazenamento de objetos, que se diferencia do armazenamento de arquivos em alguns aspectos. Um deles sendo que, enquanto que em armazenamento de arquivos existe uma hierarquia de pastas ou diretórios, no armazenamento de objetos eles se encontram todos no mesmo ambiente, chamado bucket.

    Aplicações conseguem, no entanto, simular essa estrutura de pastas, graças ao fato de que o caractere / é permitido no nome dos objetos. E é exatamente isso que acontece no Nextcloud e no utilitário de linha de comando aws.

    A forma como o armazenamento de objetos é construído permite uma alta escalabilidade e, diferente de um serviço de armazenamento de arquivos como Google Drive, em que você contrata uma quantidade de armazenamento para ter disponível, nos serviços de armazenamento de objetos você paga pelo que é usado.

    Esse tipo de serviço é comumente usado em cenários de armazenamento de grande escala, como backups, CDNs, dados para treinamento de LLMs como ChatGPT e Gemini, onde não há necessidade de edição de arquivos no armazenamento.

    Partindo para a prática, o bucket foi criado de forma simples, mantendo as opções padrões:

    Agora deve-se criar um usuário, um grupo, adicionar o usuário ao grupo e criar uma política para dar acesso ao bucket para o usuário. Isso pode ser feito através do console:

    https://console.aws.amazon.com/iam

    Você pode permitir acesso do grupo ao bucket através da política de permissão existente AmazonS3FullAccess. Isso daria acesso a todos os buckets existentes na conta para esse grupo. Isso pode não ser desejável. Uma alternativa é criar uma política de permissão, que pode ser feita no formato json:

    {
      "Version": "2012-10-17",
      "Statement": [
        {
          "Sid": "FullAccessToChuteiOBucket",
          "Effect": "Allow",
          "Action": "s3:*",
          "Resource": [
            "arn:aws:s3:::chuteiobucket",
            "arn:aws:s3:::chuteiobucket/*"
          ]
        }
      ]
    }

    Substitua o nome do bucket de acordo.

    Para autenticação do usuário, deve-se criar uma chave de acesso.

    Baixe a chave e guarde de forma segura. Você pode usar o utilitário de linha de comando para testar o acesso do usuário.

    Para Debian, Ubuntu e derivados:

    # apt install awscli

    Para Fedora, CentOS Stream, RHEL, etc:

    # dnf install awscli2

    Configure a chave de acesso:

    $ aws configure

    E teste o acesso ao bucket para listar, copiar e deletar arquivos:

    $ aws s3 ls s3://chuteiobucket
    $ aws s3 cp arquivo.txt s3://chuteiobucket
    $ aws s3 rm s3://chuteiobucket/arquivo.txt

    Informação adicional: transferências incrementais podem ser feitas entre um armazenamento local e o bucket (em ambas as direções) com:

    $ aws s3 sync s3://chuteiobucket /pasta/de/destino

    Verificado o funcionamento, basta configurar no Nextcloud: habilite o aplicativo “External storage support” e ajuste as configurações de acordo com as preferências.

    O host foi um pouco difícil de descobrir, não encontrei na AWS de forma tão explícita. Em vez disso, ao selecionar um objeto existente no bucket (que fiz upload com o utilitário de linha de comando), aparecia a opção de copiar URL, e foi como vi que o endereço era: s3.<região da AWS>.amazonaws.com

    Ao conectar, o armazenamento S3 aparece como uma pasta para os usuários que você determinar. Adicionalmente, é possível permitir que usuários adicionem armazenamentos externos, como o S3, para as próprias contas.

  • Problema: timeout em sites atrás do proxy reverso via OpenVPN

    Um dia o nginx que configurei como proxy reverso aqui passou a dar timeout ao tentar carregar o Nextcloud. Ao investigar, verifiquei que mesmo ao fazer a solicitação ao servidor Nextcloud a partir do próprio servidor que hospeda o nginx/OpenVPN, através do comando abaixo, a solicitação não completava.

    $ curl -v http://10.8.0.3

    As solicitações feitas dentro da LAN funcionavam, indicando que o problema acontecia apenas dentro da VPN. No entanto, dentro da VPN o ping funcionava, solicitações para outras páginas do Nextcloud também funcionavam, como:

    $ curl -v http://10.8.0.3/status.php

    Tentei aprofundar a investigação mas eu não sou nenhum especialista em redes, só um entusiasta que se mete profissionalmente. Uma explicação que consegui foi que o problema podia ser relacionado ao MTU (maximum transmission unit) da interface virtual de rede do OpenVPN.

    Tanto a interface virtual do OpenVPN (tun0) quanto a interface de rede da máquina (eth0) possuíam o mesmo MTU: 1500 bytes. Isso pode ser verificado com:

    $ ip a

    Diminui o MTU do tun0 para 1380, tanto no servidor quanto no cliente, que foi uma sugestão que encontrei e funcionou. Esqueci o problema até acontecer com outra instalação do Nextcloud que mantenho. Mesmo problema, mesma solução. Eventualmente retornei o MTU pra 1500 e continuou funcionando.

    O blog não existia na época da primeira ocorrência com o Nextcloud. Agora, tive o mesmo problema com o WordPress e o novo Nextcloud. E o problema parece inconsistente. Tudo funciona, até que de repende para. E em momentos diferentes, sem nenhum gatilho claro, mas claramente alguma tentativa de enviar um pacote maior que não poderia ser fragmentado falhou.

    Dessa vez parei pra investigar um pouco melhor. Já que o MTU da tun0 é 1500, um ping com tamanho de 1472 bytes (-20 do cabeçalho IP -8 do cabeçalho ICMP) deve passar sem ser fragmentado. Não passou. 100% dos pacotes perdidos. Fui baixando até encontrar o ponto onde os pings tem resposta: 1396 bytes. MTU de 1424 bytes.

    Testei então: ping sem opções definidas e com tamanhos 1396 e 1397 bytes, monitorando também com o tcpdump tanto no servidor quanto no cliente:

    $ ping 10.8.0.3
    $ ping -M do -s 1396 10.8.0.3
    $ ping -M do -s 1397 10.8.0.3

    Para o tcpdump:

    # tcpdump -i tun0 icmp

    Resultados:

    • “ping 10.8.0.3” e “ping -M do -s 1396 10.8.0.3”:
      • pra cada 10 pings, 0% de perda de pacotes.
      • tcpdump reporta 20 pacotes capturados tanto no servidor quanto no cliente: solicitação e resposta

    Ótimo. Agora:

    • “ping -M do -s 1397 10.8.0.3” e valores acima:
      • pra cada 10 pings, 100% de perda de pacotes
      • tcpdump reporta 10 pacotes capturados no servidor, 20 no cliente: o pacote sai do servidor e chega ao cliente, que responde, mas as respostas do cliente não chegam ao servidor.

    O mesmo foi feito pingando do cliente para o servidor. Mesmo sucesso para pacotes de 1396 bytes e menores. Já com

    • ping -M do -s 1397 10.8.0.1:
      • pra cada 10 pings, 100% de perda de pacotes
      • tcpdump reporta 10 pacotes capturados no cliente, 0 no servidor.

    Ou seja, o problema está no envio de pacotes dos clientes para o servidor através do túnel.

    O ping não alerta que o pacote é grande demais nem dá qualquer erro específico, apenas para pings com tamanho acima de 1472 (que resultariam num pacote acima do MTU). Em vez disso, apenas falha silenciosamente.

    Adicionalmente ao ping, fiz testes com requisições às páginas que resultavam em timeout usando curl e monitorando com tcpdump.

    Solução: baixar o valor do MTU da interface tun0 do servidor e clientes da VPN para 1424 bytes: tamanho total do maior pacote do ping que funcionou (1396 de payload, 20 do cabeçalho IP e 8 do cabeçalho ICMP).

    Isso pode ser feito de forma não persistente com:

    # ip link set dev tun0 mtu 1424

    O MTU vai voltar para 1500 quando o serviço do OpenVPN for reiniciado. Para configurar de forma persistente, inclua essa linha nos arquivos de configuração do OpenVPN do servidor e dos clientes:

    tun-mtu 1424

    Eu ainda não entendi 100% o que causa esse problema e ele não parece afetar todos os clientes igualmente ou ao mesmo tempo. O servidor recebia resposta do ping com payload de 1472 de alguns clientes sem problemas, que exibiam a página e operavam com a MTU padrão de 1500 bytes no tun0.

    Até então, após a mudança para o MTU de 1424, o problema não reincidiu. Sendo mais conservador, eu colocaria um valor mais baixo, pra deixar uma margem pra possíveis alterações que possam vir a acontecer no OpenVPN ou nos outros servidores, masss eu tô aqui pra ver o que acontece.

  • Implantando contêineres docker para Metabase e GLPI com Portainer

    Docker é uma ferramenta que permite a distribuição de softwares em contêineres, ambientes de execução independentes. Algo como máquinas virtuais, mas sem o mesmo overhead da virtualização de hardware e sem necessidade de outro kernel sendo executado.

    Isso permite que os desenvolvedores tenham um maior controle sobre versões de dependências como bibliotecas e outros programas com que o software interage, independente da distribuição Linux onde o software vai ser executado.

    Isso também facilita a implantação, já que muita coisa no ambiente não precisará ser configurada após a instalação.

    Portainer é uma ferramenta para gerenciamento e monitoramento de contêineres Docker, podendo também gerenciar Podman e Kubernetes. É distribuído também como um contêiner Docker.

    Começando pela instalação do Docker pelas fontes oficiais, nesse caso para o Ubuntu Server 24.04, é necessário primeiro importar a chave do repositório do Docker:

    # curl -fsSL https://download.docker.com/linux/ubuntu/gpg -o /etc/apt/keyrings/docker.asc

    Adicione o repositório Docker em um arquivo /etc/apt/sources.list.d/docker.list:

    deb [arch=amd64 signed-by=/etc/apt/keyrings/docker.asc] https://download.docker.com/linux/ubuntu noble stable

    Atualize os repositórios e instale os pacotes do Docker:

    # apt update
    # apt install docker-ce docker-ce-cli containerd.io docker-buildx-plugin docker-compose-plugin

    Verifique que o serviço está sendo executado:

    $ systemctl status docker.service

    Adicione seu usuário ao grupo docker para que não seja necessário usar os comandos com sudo.

    # usermod -aG docker daniel

    Você talvez precise sair do shell atual e abrir outro, ou fazer logout e login novamente.

    Então, crie um volume a ser usado para informações do Portainer:

    $ docker volume create portainer_data

    Isso cria uma pasta em /var/lib/docker/volumes/portainer_data.

    E em seguida, baixe a imagem e execute o Portainer com:

    $ docker run -d -p 8000:8000 -p 9443:9443 --name portainer --restart=always -v /var/run/docker.sock:/var/run/docker.sock -v portainer_data:/data portainer/portainer-ce:lts
    • O parâmetro -p é usado para mapear uma porta do host para uma porta do contêiner – docker usa iptables e isso pode contornar o firewall do sistema operacional.
    • O parâmetro -v é usado para mapear um volume docker ou um /caminho/no/seu/sistema para um caminho dentro do contêiner.

    A porta 9443 é usada para acesso à interface web via HTTPS. Por padrão são gerados certificados autoassinados e, enquanto é possível especificar seus certificados já no comando “docker run”, também é possível alterá-los pelas configurações na própria interface web.

    A porta 8000 é usada pela funcionalidade Edge computing, que permite gerenciamento e implantação de contêineres em dispositivos remotos através de um túnel TCP.

    Verifique que o Portainer está sendo executado com:

    $ docker ps

    Então, acesse-o pelo navegador através da porta 9443 com protocolo HTTPS e siga a configuração pela página web.

    Hora de instalar um contêiner: existem alguns templates mas a seção Containers permite que qualquer imagem seja baixada do Docker Hub e o contêiner construído a partir dela, com os parâmetros de configuração escolhidos.

    Um software interessante que é distribuído como um contêiner docker é o Metabase: uma plataforma livre e aberta para análise de dados e Business Intelligence.

    De acordo com o site oficial, a instalação como contêiner docker pode ser feita pelo seguinte comando:

    $ docker run -d -p 3000:3000 --name metabase metabase/metabase

    O que, pelo Portainer, fica:

    Após inicializado, basta acessar o servidor na porta 3000 via HTTP.

    O comando “docker run” é tipicamente usado para softwares ou sistemas que são distribuídos como um único contêiner. Alguns sistemas são compostos de múltiplos contêineres que trabalham em conjunto.

    Nesses casos, em vez de usar o comando “docker run” passando os parâmetros de configuração como argumentos, o comando “docker compose” é usado com um arquivo docker-compose.yml que armazena esses parâmetros de configuração. A configuração do Metabase nesse formato, por exemplo, ficaria:

    services:
      metabase:
        image: metabase
        container_name: metabase
        ports:
          - "3000:3000"

    Outro sistema interessante de ser instalado é o GLPI: um sistema de gerenciamento de Helpdesk e ativos de TI. A instalação usa um arquivo docker-compose.yml, que pode ser encontrado no Docker Hub: https://hub.docker.com/r/glpi/glpi, e especifica dois contêineres: um com o GLPI empacotado com o servidor web e PHP e outro com o banco de dados MySQL. O exemplo abaixo teve alguns parâmetros adaptados:

    volumes:
      glpi:
      glpi_mysql:
    
    services:
      glpi:
        image: "glpi/glpi:latest"
        restart: "unless-stopped"
        volumes:
          - glpi:/var/glpi
        env_file: stack.env
        ports:
          - "8080:80"
      db:
        image: "mysql"
        restart: "unless-stopped"
        volumes:
          - glpi_mysql:/var/lib/mysql
        env_file: stack.env
        expose:
          - "3306"

    Como a configuração especifica um arquivo com variáveis de ambiente, também precisamos dele, o stack.env, com o conteúdo abaixo.

    O Portainer espera que o arquivo seja especificado com esse nome no yml, porque é o nome do arquivo que ele forma a partir das variáveis que são fornecidas. O arquivo para upload pode ter qualquer nome.

    GLPI_DB_HOST=db
    GLPI_DB_PORT=3306
    GLPI_DB_NAME=glpi_db
    GLPI_DB_USER=glpi_operator
    GLPI_DB_PASSWORD=senhaNoPost-it
    
    MYSQL_RANDOM_ROOT_PASSWORD=yes
    MYSQL_DATABASE=glpi_db
    MYSQL_USER=glpi_operator
    MYSQL_PASSWORD=senhaNoPost-it

    Adaptações feitas:

    • Todas as variáveis estão no stack.env. O Portainer não resolve variáveis no arquivo .yml, então todas precisam ser especificadas no stack.env ou no próprio .yml. Isso levou a variáveis com valores redundantes no stack.env
    • Pela mesma questão acima, o teste do banco de dados foi removido.
    • Volumes docker foram especificados em vez de caminhos para pastas no host.

    Para uma implantação desse tipo no Portainer, vá na seção Stacks. Lá é possível fazer upload dos arquivos ou colar o conteúdo no editor web.

    O GLPI leva um tempo após a inicialização do contêiner para ser instalado e ficar disponível na porta mapeada, nesse caso 8080. O MySQL gera uma senha aleatória para o usuário root, que você pode obter com:

    $ docker logs <nome_do_conteiner_mysql> | grep GENERATED

    Para acompanhar a instalação, verifique os logs do contêiner do GLPI via linha de comando ou no Portainer.

    Após concluida, basta fazer login na interface web com o usuário e senha padrão, especificado no log do contêiner:

    • Usuário: glpi
    • Senha: glpi

    Na interface web, o GLPI sugere remover o arquivo install/install.php, o que pode ser feito com:

    $ docker exec -it <nome_do_conteiner_glpi> rm /var/www/glpi/install/install.php

    Voltando ao Metabase: a implantação do Metabase abordada armazena as configurações em um banco de dados H2, no volume do próprio contêiner, sem nenhum volume persistente configurado. Ou seja, ao fazer uma atualização – que é feita por remover e adicionar um novo contêiner, todas as configurações, dashboards e conexões com bancos de dados seriam excluídos.

    Para uso em produção, o metabase precisa ser combinado com um banco de dados para produção, como PostgreSQL. Abaixo, um exemplo de configuração em formato .yml para implantação:

    volumes:
      metabase_config:
    
    services:
      metabase:
        image: metabase/metabase:latest
        container_name: metabase
        hostname: metabase
        restart: "unless-stopped"
        volumes:
          - /dev/urandom:/dev/random:ro
        ports:
          - 3000:3000
        environment:
          MB_DB_TYPE: postgres
          MB_DB_DBNAME: metabase_db
          MB_DB_PORT: 5432
          MB_DB_USER: metabase_operator
          MB_DB_PASS: senhaNoBlocoDeNotas.txt
          MB_DB_HOST: meta_postgres
        networks:
          - metanet1
        healthcheck:
          test: curl --fail -I http://localhost:3000/api/health || exit 1
          interval: 15s
          timeout: 5s
          retries: 5
    
      postgres:
        image: postgres:latest
        container_name: postgres
        hostname: meta_postgres
        restart: "unless-stopped"
        volumes:
          - metabase_config:/var/lib/postgresql/data
        environment:
          POSTGRES_USER: metabase_operator
          POSTGRES_DB: metabase_db
          POSTGRES_PASSWORD: senhaNoBlocoDeNotas.txt
        networks:
          - metanet1
    
    networks:
      metanet1:
        driver: bridge
  • Configurando servidor Rustdesk: alternativa a Anydesk e TeamViewer

    Rustdesk é um software de acesso e controle remoto para Windows, macOS e Linux, tendo também aplicativos para Android e iOS.

    O cliente, ao ser instalado, irá por padrão usar um servidor público gratuito. Você provavelmente não vai querer isso, principalmente por questão de desempenho, já que o público tem uma latência considerável.

    O lado do servidor possui duas edições: uma comercial e uma da comunidade. A edição da comunidade tem algumas limitações, a mais notável sendo a ausência da capacidade própria de gerenciamento de dispositivos. Enquanto a comercial tem uma licença proprietária, a da comunidade é distribuída sob a licença AGPL-3.0.

    O download pode ser feito na página do projeto no GitHub. Para os componentes do servidor:

    Para o cliente:

    O cliente tem uma instalação bem direta para qualquer sistema operacional.

    O servidor é composto de dois serviços:

    • rustdesk-hbbs – É o servidor de ID (rendezvous/sinalização). O papel dele é identificar os dois dispositivos a serem conectados e fazê-los criar uma conexão P2P mesmo através de um firewall ou NAT, através da técnica de “hole punching”, de forma que após estabelecida, a conexão não depende da atuação do servidor.
    • rustdesk-hbbr – Dependendo das configurações da rede em que os dois dispositivos se encontram, nem sempre é possível estabelecer uma conexão P2P. Nesse caso, o hbbr assume como um relay, com a comunicação entre os dois dispositivos sendo mediada por ele.

    Para instalar, basta baixar os pacotes adequados pra arquitetura do seu servidor na seção releases da página do Rustdesk no GitHub e instalá-los no servidor – que deve ser Debian ou Ubuntu, já que apenas pacotes .deb são distribuídos oficialmente.

    A instalação completa consiste em três pacotes, dois sendo os serviços mencionados e outro como um utilitário pra configuração e teste do Rustdesk.

    $ wget https://github.com/rustdesk/rustdesk-server/releases/download/1.1.14/rustdesk-server-hbbs_1.1.14_amd64.deb
    $ wget https://github.com/rustdesk/rustdesk-server/releases/download/1.1.14/rustdesk-server-hbbr_1.1.14_amd64.deb
    $ wget https://github.com/rustdesk/rustdesk-server/releases/download/1.1.14/rustdesk-server-utils_1.1.14_amd64.deb
    
    # apt install ./rustdesk-server-hbbs_1.1.14_amd64.deb
    # apt install ./rustdesk-server-hbbr_1.1.14_amd64.deb
    # apt install ./rustdesk-server-utils_1.1.14_amd64.deb

    Verifique se os serviços estão sendo executados:

    $ systemctl status rustdesk-hbbs
    $ systemctl status rustdesk-hbbr

    Configure o seu firewall: o serviço rustdesk-hbbs escuta nas portas 21115/tcp e 21116/(tcp+udp), e o rustdesk-hbbr na porta 21117/tcp, então:

    # ufw allow 21115:21117/tcp
    # ufw allow 21116/udp

    A instalação gera alguns arquivos em /var/lib/rustdesk-server: um par de chaves público-privada e alguns arquivos de banco de dados SQLite, usado para armazenamento de informações de clientes.

    O par de chaves é gerado automaticamente na instalação e, caso queira, você pode gerar novas com:

    $ rustdesk-utils genkeypair

    e substituir nos arquivos id_ed25519.pub e id_ed25519. Reinicie os serviços para que tenha efeito.

    A chave pública é necessária para a configuração dos clientes.

    No cliente instalado, vá nas configurações > Rede > Servidor de ID/Relay e especifice seu endereço de IP ou nome de domínio para ambos os servidores e sua chave pública – que você pode não querer que seja tão pública.