Eu admito: na minha instalação do WordPress, eu fui preguiçoso. Eu não cheguei a configurar nenhum arquivo do Apache, eu só aproveitei o diretório padrão /var/www/html, a configuração padrão do PHP-FPM e foi isso.
Mas, agora, é necessário preparar essa instalação para hospedar mais de uma aplicação em PHP, funcionando pelo mesmo proxy reverso, com alguns requisitos adicionais:
- Usar a mesma conexão do OpenVPN, com o mesmo IP, por simplicidade de manutenção.
- Manter os sites com algum isolamento um do outro, dificultando que outros sites sejam afetados caso um seja comprometido.
Para começar, foi criada uma nova pasta para o blog em /var/www/pid1.com.br, para onde o conteúdo foi movido. Como o arquivo de configuração do WordPress fica acima da raiz do site, isso resulta na seguinte estrutura:
- /var/www/pid1.com.br/wordpress – diretório com o WordPress
- /var/www/pid1.com.br/wp-config.php – arquivo de configuração
O requisito de utilizar a mesma conexão do OpenVPN com o mesmo IP é facilmente atendido com o mesmo tipo de recurso que permite o proxy reverso distinguir pra qual servidor uma requisição deve ser direcionada: a identificação pelo nome do host.
Por padrão, as requisições HTTP vem com um parâmetro Host no cabeçalho. Então basta configurar os sites no Apache com o parâmetro ServerName definido e configurar o proxy reverso para encaminhar esse parâmetro.
O arquivo de configuração no Apache fica:
# /etc/httpd/conf.d/pid1.com.br.conf
<VirtualHost *:80>
ServerName pid1.com.br
DocumentRoot /var/www/pid1.com.br/wordpress
<Directory /var/www/pid1.com.br/wordpress>
AllowOverride All
Require all granted
</Directory>
ErrorLog /var/log/httpd/pid1.com.br_error.log
CustomLog /var/log/httpd/pid1.com.br_access.log combined
</VirtualHost>
Na configuração do site no proxy reverso é necessária a seguinte linha:
proxy_set_header Host $host;
A configuração do Apache pode ser validada e o serviço reiniciado com os comandos:
$ httpd -S
# systemctl restart httpd
Para cumprir o segundo requisito e criar um isolamento entre os sites, podem ser criados diferentes pools do PHP-FPM. Eles funcionam como processos independentes, que podem ser executados com configurações diferentes e por usuários diferentes.
Para criar um usuário dedicado sem permissão de login:
# useradd -s /usr/sbin/nologin pid1
Para configurar o PHP-FPM, basta copiar a configuração padrão – nesse caso feito removendo as linhas comentadas:
# grep -vE '^;|^\s*$' /etc/php-fpm.d/www.conf | tee /etc/php-fpm.d/pid1.com.br.conf
E então, editar os parâmetros, substituindo o nome da configuração, nome de usuário e caminho do log.
; /etc/php-fpm.d/pid1.com.br.conf
[pid1.com.br]
user = pid1
group = pid1
listen = /run/php-fpm/pid1.sock
listen.acl_users = apache,nginx
listen.allowed_clients = 127.0.0.1
pm = dynamic
pm.max_children = 50
pm.start_servers = 5
pm.min_spare_servers = 5
pm.max_spare_servers = 35
slowlog = /var/log/php-fpm/pid1-slow.log
php_admin_value[error_log] = /var/log/php-fpm/pid1-error.log
php_admin_flag[log_errors] = on
php_value[session.save_handler] = files
php_value[session.save_path] = /var/lib/php/session
php_value[soap.wsdl_cache_dir] = /var/lib/php/wsdlcache
Então, basta configurar o virtual host do site para utilizar o pool desejado do PHP-FPM para arquivos de extensão .php, adicionando o seguinte bloco dentro do virtual host:
<FilesMatch \.php$>
SetHandler "proxy:unix:/run/php-fpm/pid1.sock|fcgi://localhost/"
</FilesMatch>
Apontando para o socket pertencente ao pool desejado do PHP-FPM.
Por fim é necessário fazer dois ajustes de permissão:
- Atribuir a propriedade da pasta e arquivos do WordPress ou outra aplicação em PHP ao usuário e grupo do pool do PHP-FPM – o usuário utilizado não é o do servidor web.
- Ajustar o contexto do SELinux para permitir escrita pelo PHP-FPM – o padrão é httpd_sys_content_t, sem permissão de escrita.
A propriedade da pasta pode ser ajusta com o seguinte comando:
# chown -hR pid1:pid1 /var/www/pid1.com.br/wordpress
Não esqueça de verificar se as permissões no sistema de arquivos estão adequadas: 755, 750 ou 700 para diretórios, 644, 640 ou 600 para arquivos, dependendo da necessidade. Assim, um processo do PHP–FPM de outro site não tem acesso de escrita na pasta. Eu prefiro utilizar 750 e 640 e adicionar meu usuário aos grupos dos usuários dos sites desejados.
Para adicionar o contexto de escrita do SELinux à pasta do site:
# semanage fcontext -a -t httpd_sys_rw_content_t "/var/www/pid1.com.br/wordpress(/.*)?"
# restorecon -Rv /var/www/pid1.com.br
Alternativamente, você pode ter uma permissão mais restrita, deixando a escrita permitida apenas na pasta de posts e mídia do WordPress:
# semanage fcontext -a -t httpd_sys_rw_content_t "/var/www/pid1.com.br/wp-content(/.*)?"
E permitindo a escrita de forma temporária nos arquivos adequados ao performar atualizações do WordPress ou ajuste de configurações:
# chcon -R -t httpd_sys_rw_content_t /var/www/pid1.com.br
Podendo depois ser revertida aplicando o contexto configurado do SELinux:
# restorecon -Rv /var/www/pid1.com.br
Caso desejar uma configuração mais restrita ainda, pode-se deixar toda a pasta com propriedade do root, com exceção de wp-content/* e wp-config.php, e alterar para a propriedade do usuário que executa o PHP-FPM apenas quando for realizar uma atualização do WordPress.
Para facilitar o ajuste de permissões na hora de atualizar, deixei dois scripts simples em /var/www/pid1.com.br:
#!/bin/bash
#/var/www/pid1.com.br/allow-write.sh
script_path=$(realpath "$0")
script_dir=$(dirname "$script_path")
php_user=pid1
chown -hR $php_user:$php_user $script_dir
chcon -R -t httpd_sys_rw_content_t $script_dir
setsebool httpd_can_network_connect on
#!/bin/bash
#/var/www/pid1.com.br/block-write.sh
script_path=$(realpath "$0")
script_dir=$(dirname "$script_path")
php_user=pid1
chown -hR root:root $script_dir
chown -hR $php_user:$php_user $script_dir/wordpress/wp-content
chown $php_user:$php_user $script_dir/wp-config.php
restorecon -Rv $script_dir
setsebool httpd_can_network_connect false
Para configurar outros sites, basta seguir com a mesma estrutura:
- Criar estrutura de pasta separada
- Criar usuário para o PHP-FPM
- Configurar pool independente do PHP-FPM com usuário dedicado
- Ajustar permissões do sistema de arquivos e contexto do SELinux
- Configurar o site no Apache
- Configurar o site no proxy reverso